Senhores detetives da vida alheia, convido vossas senhorias a empregar o potencial intelectual (que creio vocês possuírem) a ler este pequeno texto extraído de um comentário do Blog do Eliomar. Depois de lido (e compreendido) convido os mesmos a debatermos as idéias contidas no referido texto. Ou vocês preferem gastar energia mental e tempo tentando descobrir a identidade secreta deste que vos escreve?
Fonte: http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/cid-e-lula-conversam-sobre-sucessao-em-fortaleza/#comment-68988
POBRES PARTIDOS PODRES
Diante do que temos presenciado e visto, nestes últimos anos, em nossa res publica, – já quase na privada -, e neste nosso Brasil, – já não mais tão varonil -, referentemente às legendas eleitorais, resolvemos reler uns velhos escritos sobre o que eram, e, consequentemente, ousamos pensar, “em voz alta”, o que são, – hoje -, no nosso país…
‘… Segundo a famosa definição de Weber, o Partido é “uma associação… dirigida a um fim deliberado, tanto no sentido objetivo de atuação de um programa com escopo material ou ideal, como no sentido “pessoa”l, dirigido à obtenção de benefícios, poder e honra para os chefes e seguidores, ou, finalmente, dirigido a todos estes fins em conjunto”.’ (sic)
São eles:
I – Partidos dos Notáveis ou do Comitê – “Estes círculos reagrupavam um número restrito de pessoas, funcionavam quase exclusivamente durante os períodos eleitorais e eram liderados por notáveis locais, aristocratas ou alto-burgueses de alta sociedade, que proviam a escolha dos candidatos e ao financiamento da atividade eleitoral.”
II – Partidos Aparelhados – “Estas características correspondiam a exigências específicas dos partidos dos trabalhadores, quer pelos objetivos políticos a que se propunham, quer pelas condições sociais e econômicas das massas a que se dirigiam. … era necessário que à atividade de educação e propaganda e ao trabalho organizativo se dedicassem, em tempo integral, pessoas qualificadas e especialmente pagas para isto, não sendo possível que os trabalhadores, com pesados horários de trabalho e baixos salários, dedicassem à atividade política mais do que um pouco do seu escasso tempo livre, nem que abandonassem o trabalho para se dedicarem à política a simples título de honra. Havia, enfim, o problema do financiamento do partido: faltando os “Notáveis” que financiassem a atividade e a organização política foi introduzido o sistema de “quotas”, isto é, as contribuições periódicas que cada membro devia pagar ao partido.”
III – Partidos Eleitorais de Massa – “… depois da Segunda Guerra Mundial, quando a maior parte dos partidos de comitê foi obrigada foi obrigada a criar um aparelho estável para uma eficaz propaganda, procurando uma clientela de massa e coligações com grupos e associações da sociedade civil capaz de dar ao partido uma base estável de consenso. … . Não são dirigidos de um modo geral a uma classe ou a uma categoria (camada) particular mas procuram conquistar a confiança dos estratos mais diversos da população, propondo em plataformas amplas e flexíveis, além de suficientemente vagas, a satisfação do maior número de pedidos e a solução dos mais diversos problemas sociais. Por este conjunto de conotações, o partido eleitoral de massa foi definido também como “partido pega tudo” (partito pigliatutto).”
Eis, em poucas linhas, os tipos clássicos de partidos políticos, surgidos, fomentados e fortalecidos, desde início do século XIX, conforme Bloco I – Partidos Políticos, Anna Oppo, ‘in’ Curso de Introdução à Ciência Política – PARTIDOS POLÍTICOS E ELITES POLÍTICAS – Unidade V, Editora Universidade de Brasília, 1982.
Modernosamente, no nosso Brasil, – já não mais tão varonil -, empós as (indi)gestões dO CHEFE do CorruPTos, digo, do PT, & Cia. Ltda., temos os “Partidos que mandam”, os “Partidos que obedecem”, os “Partidos coadjuvantes” e Outros!
I – Partidos que mandam, ou “Sigam o chefe” – Basicamente, existem apenas 02 (dois) representantes: o CorruPTos, digo, o PT – Partido dos Trabalhadores, e o Tucanos, aliás, o PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira. Este, por ter sido o grande detentor do poder, ao largo dos últimos anos do século passado, com o advento da chamada abertura política, depois da anistia e da redemocratização do país, além, é claro, de, ainda, representar e ser um dos ícones da oposição, massivamente falando e, também, por ainda deter amplo espaço de poder junto aos entes e agentes federativos. Aquele, por ser, – ao largo e desde a última década -, o detentor do poder, em amplo e esmagador espectro da União, alcançando os estados-membros e com tentáculos nos municípios, além, é claro, de um fortíssimo aparelhamento partidário, que envolve todos os segmentos dos poderes, seja no Legislativo, no Executivo e, também, no Judiciário. Têm eles um certo fio condutor, de base, – anômala e esdrúxula -, diga-se de passagem, da Social-democracia, como nos moldes clássicos!
II – Partidos que obedecem, ou “de aluguel” – São muito numerosos, porém, pequenos, diminutos ou até chamados de nanicos. Não têm expressividade político-partidária e, nem ao menos, linha ou norte, ideologicamente falando. E, na maioria das vezes, nem sequer quaisquer estruturas, mesmo as físicas. Diria, até, que seus endereços, salas de despachos e reuniões cabem dentro das pastas de seus líderes ou donos, e em (in)constantes e instantâneas alterações, ao sabor dos Partidos que mandam e dos humores de seus chefes e dos chefes daqueles, além dos ventos eleitoreiros, momentâneos. Na ampla maioria deles, não passam de meras siglas ou “sopinhas” de letras, a saber: PTN, PTC, PSL, PRB, PTdoB, PMN, PHS, PRTB, PSC, PRP etc.!
III – Partidos coadjuvantes, ou “muristas” – São expressivos e de tamanho variando de pequeno a médio e, até, grandes. Citaria, pela ainda assim chamada esquerda, centro-esquerda, ou progressivismo, o PSoL – Partido Socialismo e Liberdade, o PSB – Partido Socialista Brasileiro, o PCdoB – Partido Comunista do Brasil e o PV – Partido Verde; e, pela direita, centro-direita, conservadorismo ou liberal, o DEM – Democratas, o PR – Partido da República, o PDT – Partido Democrático Trabalhista, o PP – Partido Progressista, o PPS – Partido Popular Socialista, o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, o PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro e o PSD – Partido Social Democrata. Na realidade e em última análise, eles são meio híbridos ou mesclados, restando-lhes, até pelos objetivos, – precípuos -, com as devidas e cada vez mais parcas exceções, de sempre, muito pouco do classicismo e dos ideais partidários, que fomentaram e fundaram suas criações!
Ora pendem para um lado, ora pendem para um outro, – notada e especialmente -, o lado do partido detentor do poder, alguns pouquíssimos, mantendo-se autônomos e-ou independentes, porém, por não disporem de cacife ou representação política, unem-se aos ‘ventos’ que sopram paralelamente aos seus interesses e nortes político-ideológicos, mesmo que momentâneos!
IV – Outros partidos e movimentos (Jus sperniandi) – Sem representação parlamentar, em processo de criação, extinção ou em processo falimentar e de fusão ou união, sem registro etc.: PCB – Partido Comunista Brasileiro, PCO – Partido da Causa Operária, PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unidos, PPL – Partido da Pátria Livre, Movimento Crítica Radical etc.!
Aqui, ali, acolá e alhures, eles se mesclam, negando seu próprio purismo ou pudor, ou, ainda, super ou sobrepondo-se, devido à meros interesses menores e locais, ressalvando-se, como sempre, um ou dois ‘gatos pingados’, na maioria das vezes, devido à alguns de seus membros e partícipes. Chegamos ao cúmulo de que, em certas esferas, menores, mesmo os Partidos que mandam acabam ficando atrelados ou a reboque dos que apenas coadjuvam ou auxiliam, devido ao personalismo exacerbado e aos egos inflados, e ainda, de projetos e planos futuros, de seus, ditos, dirigentes, ou ‘donos’!
A temática é por demais atual, pulsante e polêmica, mas, “digam o que disserem”, ‘gritem o que gritarem’, é inegável o que está ocorrendo em nosso pobre país, apesar das pirotecnias midiáticas e marqueteiras, das cortinas de fumaça, das mordaças veladas, ou não, e das ‘compras’ de consciências, vezes e vozes!
O que está acontecendo com o nosso outrora querido e bravo PDT, que já foi de e a cara de Brizola? Com o trabalhismo e com do PTB, de Vargas? Com o outrora respeitado e destacado MDB, de Ulisses Guimarães? Com o PSDB, de Montoro e de Covas? Cadê o PSB, de Miguel Arrais? E, com o próprio PT, de Hélio Bicudo e outros bons pensadores e próceres?
E, assim, e “Pelo andar da carruagem”, pergunto e questiono: onde será que a ‘coisa’ irá parar? Seria o fim da política, como a conhecemos? Ou, então, e no mínimo, o fim do pluripartidarismo? Cairemos na armadilha da velha URSS ou, de seu decrépito, mas ainda sobrevivente satélite, Cuba, – a de ‘los hermanos’ Castro -, ou, quando pouco, do meu querido México, de há 10 (dez) anos atrás, e para trás?
Finalizando, então, relembro, aqui e agora, o douto e inquestionável, Yves Gandra da Silva Martins, – já há algum tempo -, quando afirmou querer ser o PT, o PRI mexicano!