RMS Titanic

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Se fosse possível identificar uma causa isolada. Se houvesse um culpado. Se a causa tivesse sido um simples erro humano, falha mecânica, ou um ato de Deus, como gostam os juristas, seria mais uma tragédia. Entraria para a historia como estatística e não como drama.
O naufrágio do RMS Titanic escapa da memória estatística e faz parte da memória coletiva como um drama. Acima de tudo, o naufrágio foi consequência de uma sequência de decisões e premissas equivocadas tomadas antes e durante o naufrágio.

Nele, o iceberg foi apenas um detalhe. Entrou para a história e para a memória coletiva como sinônimo de tragédia que poderia ter sido evitada pela simples ação daqueles que estavam em posição de decisão.

Desastres como este, em geral, acontecem em câmera lenta. Os erros vão se encadeando como consequências de decisões baseadas em conveniências e, quase sempre, tomadas a revelia dos fatos.

De muitas formas, o Titanic é uma metáfora sobre as consequências de transformar questões meramente técnicas em assuntos políticos onde interesses, e não as necessidades, são os critérios para tomada de decisões.

Os erros foram se acumulando. O design privilegiava o luxo as expensas da segurança. A hipótese de naufrágio não foi seriamente considerada. O Titanic, afinal, era grande demais para fracassar.

Ignorou-se o ambiente. Naquela região, icebergs flutuam abundantemente. Entretanto, decidiu-se prosseguir na maior velocidade possível.

Decidiu-se, com em muitos outros casos, ignorar os problemas como se eles fossem desaparecer natural e magicamente. Esquecerem de combinar com os icebergs.

Os indicadores foram ignorados. Quando a colisão já havia acontecido, os interesses falaram mais alto. A decisão foi tentar continuar a jornada sem alertar passageiros ou buscar reparos.

A imagem da empresa dona do navio teve prioridade a realidade da gravidade da situação. Foi o triunfo do interesse sobre a necessidade.

Enquanto a água lentamente tomava conta do navio e condenava todos a bordo a experimentar os horrores do naufrágio, a gravidade da situação não era endereçada. Os passageiros ainda, alegremente, continuavam normalmente suas vidas a bordo com a tranquilidade que somente a ignorância pode garantir.

O naufrágio do Titanic deixou a realidade para ser um mito. Serve de alerta e ilustra as consequências de ignorar sinais negativos quando a conveniência politica (ou econômica) assim dita. Por isso, tudo parece bem até o ponto em que não está bem. Mas ai, normalmente, já é tarde.

Elton Simões

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Que elites, que esquerda?

Que imprensa golpista? Que editorial ou comentário pediu golpe? Comportamento golpista é o de quem se diz vítima de linchamento, quando foi condenado em processo legítimo e incontestáv

ARTIGO – JOÃO UBALDO RIBEIRO
Publicado:17/03/13 – 0h00
Atualizado:17/03/13 – 0h00

A cada instante e cada vez mais, somos alvejados por milhares de informações de todos os tipos, muitas delas procurando, como consequência final, alterar nosso comportamento, seja para pormos fé nas lorotas pseudoestatísticas e conceituais que nos pregam os fabricantes de remédios, pastas de dentes e produtos de farmácia em geral, seja para acreditarmos que determinado partido político, ao pedir com fervor nossa adesão, realmente tem alguma identidade que não seja a que lhes emprestam seus tão frequentemente volúveis caciques. Aparentemente, nossos cérebros se defendem de ser entulhados com essa tralha e grande parte dela é esquecida.

Mas em algum lugar da mente ela permanece e afeta talvez até nossa maneira de ver o mundo. Se prestarmos atenção aos comerciais de tevê e fizermos um esforçozinho de abstração, veremos que temos plena ciência de que quase todos eles, ou mesmo todos, se apoiam em pelo menos uma mentira ou distorção. O xampu não produz cabelos como aqueles, a empresa não dá o atendimento ao cliente que apregoa, o plano de saúde falha na hora da necessidade, a velocidade da banda larga não chega nem à metade do que contrata, o sistema de saúde que descrevem como o nosso parece gozação com o pessoal que estrebucha em macas no hospital, o banco professa carinho e oferece gravações telefônicas diabólicas, o lançamento imobiliário mente sobre as vantagens do bairro e a segurança da construtora, a moça não é bonita como aparece, o sinal da operadora não é confiável, a prestação sem juros é enganação, a garantia do carro não vale nada para a concessionária. Tudo, praticamente, é mentira e sabemos disso. Mas, mistérios desta vida, agimos como se não soubéssemos, numa postura acrítica e já meio abestalhada.

Em relação à política, talvez nossa situação possa ser até descrita em termos mais drásticos. As afirmações mais estapafúrdias são divulgadas e ninguém se preocupa em examiná-las. Não me refiro a chutes que prostituem a estatística e fazem dela, como já se disse, a arte de mentir com precisão. Os números nos intimidam desde a escola primária e qualquer embusteiro se aproveita disso para declarar que 8.36% (quanto mais decimais, melhor) de alguma coisa são isso ou aquilo e ver esta assertiva ser recebida reverentemente, como se não fosse possível desconfiar de tudo, da coleta dos dados, às categorias empregadas e os cálculos feitos. Média, então, é uma festa e eu sempre penso em convidar o dr. Bill Gates para morar em Itaparica e me transformar em nativo do município de maior renda média do Brasil, cuíca do mundo.

Não, não me refiro a números, mas a alegações estranhas. Por exemplo, esse negócio de o governo ser de esquerda. Só se querem dizer que a maior parte do nosso cada vez mais populoso bando ministerial é constituído de canhotos. O presidente Lula, que não quis ser presidente emérito e prefere continuar sendo presidente perpétuo mesmo, já disse — e creio que com sinceridade — que não é, nem nunca foi, de esquerda e que não usa mais nem a palavra “burguesia”. E que é que o governo fez que caracterize uma posição de esquerda? Apoiar Chavez com beijos e abraços, ao tempo em que respalda os bilhões de dólares de negócios brasileiros na Venezuela? Manter boas relações com Cuba, o que não quer dizer nada em matéria de objetivo político? Ser da antiga turma que combatia o governo, no regime militar? E já perguntei aqui, mas pergunto de novo: o PMDB é de esquerda? Quem é esquerda, nesse balaio todo? Furtar, desviar, subornar, corromper são de esquerda? Zelar por valores éticos e morais é de direita?

É gritaria da direita reclamar (e pouca gente reclama) do descalabro inacreditável em que se tornaram as trombeteadas obras do rio São Francisco, hoje uma vasta extensão de ruínas e destroços, tudo abandonado ao deus-dará, em pior estado do que cidades bombardeadas na Segunda Guerra? Ou o que está acontecendo com a Petrobras, que, da segunda posição entre as petrolíferas, despencou para a oitava e pode despencar mais, acrescida a circunstância de que ninguém explica direito qual é mesmo a situação do hoje já não tão radioso pré-sal? E combater a miséria nunca foi de esquerda ou direita. Ter altos índices de popularidade tampouco.

Também se diz que as elites dominantes querem derrubar o governo. Que elites dominantes? A elite política, que se saiba, é a que exerce o poder político. O Poder Executivo é exercido pelo governo que está aí e que, presumivelmente, não atua contra si mesmo. O Poder Legislativo está sob o controle da base do governo. E o Judiciário, por mais que isso seja desagradável aos outros governantes, não pode associar-se à ação política no sentido estrito. Já as elites econômicas não parecem empenhadas em subverter uma situação em que os bancos têm lucros nunca vistos, conforme o próprio presidente perpétuo já frisou, e as empreiteiras estão muito felizes e, convocadas pela presidente adjunta, prometeram fazer novos investimentos. Qual é a elite conservadora que está descontente e faz oposição ao governo? É justamente o contrário.

Finalmente, temos a imprensa golpista. Que imprensa golpista? Que editorial ou comentário pediu golpe? Comportamento golpista é o de quem acusa o Judiciário de ser agente de armações politiqueiras, quem chega a esboçar desobediência a ordens judiciais, quem se diz vítima de linchamento, quando foi condenado em processo legítimo e incontestável. A imprensa sempre se manifesta contra o desrespeito à Constituição e a desmoralização das instituições democráticas e tem denunciado um rosário sem fim de ações lesivas ao interesse público. Golpista é quem busca silenciá-la ou controlá-la, não importa que explicações se fabriquem e que eufemismos inventem.

João Ubaldo Ribeiro é escritor

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/que-elites-que-esquerda-7851540

Governos espetaculares fazem espetáculos

Desde o ano passado, o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, em Sergipe, Alagoas e no Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades, as escolas dependem do socorro de vizinhos.

Os investimentos feitos na região mostraram-se insuficientes para enfrentar uma calamidade natural que, segundo os meteorologistas, tende a se agravar. Estima-se que as chuvas deste ano serão poucas.

A mais vistosa ação do governo federal tem sido um filme de um minuto que a Secom botou nas televisões da região. Nele, Chambinho do Acordeon, feliz e sorridente, anda pela caatinga informando que “a seca sempre vai existir, mas o sertanejo vai poder se defender cada vez mais dela”. Cantando louvores aos investimentos feitos pelo governo, informa que “o sertanejo é um cabra forte, só precisa de apoio, e vai ter cada vez mais”.

Os sertanejos que estão sem o abastecimento de carros-pipa não precisam de propaganda. O que lhes falta é água. Esse tipo de marquetagem no meio de uma seca chega a ser deboche. Para falar sério, o aparelho de autoglorificação da doutora Dilma deveria anunciar, ao fim de cada clipe, quanto gastou na marquetagem e quantos carros-pipa ela pagaria.

Durante a seca de 1998, Lula visitou o interior do Ceará acompanhado de José Genoino, cuja família morava em Jaguaruana. Culpou a desatenção dos tucanos e prometeu rios de mel. Nas palavras de Nosso Guia: “O sofrimento do povo nordestino só vai acabar no dia em que a gente tiver políticas de investimento para tornar esta terra produtiva. E essas políticas, o PT tem”.

Qual era? “O Fernando Henrique veio ao Ceará na campanha de 1994 e prometeu transpor as águas do Rio São Francisco. Mas até agora não trouxe sequer um copo de água. Ele foi mentiroso e vai mentir de novo prometendo a obra para ganhar voto”.

Em 2003, eleito, Lula prometeu: “Nesses quatro anos, 24 horas por dia serão dedicadas para fazer aquilo em que acredito: a transposição das águas do Rio São Francisco”. Ficou oito anos, a doutora Dilma juntou mais dois, e depois de dez anos o “copo de água” ainda não apareceu.

A opção preferencial dos governos pela propaganda e pelos espetáculos criou um novo estilo de administração e, nele, o governador do Ceará, Cid Gomes, tem se revelado um talento à altura de Steven Spielberg. No ano passado, a Viúva entrou com boa parte do custo da festa de inauguração de um centro de convenções abrilhantado pelo tenor espanhol Placido Domingo. A tertúlia custou R$ 3,1 milhões e alegrou três mil convidados.

Até aí tudo bem, pois de fato havia um centro de convenções. Em janeiro passado, ele pagou um cachê de R$ 650 mil à cantora Ivete Sangalo para lustrar a inauguração do Hospital Regional Euclides Ferreira Gomes, em Sobral, berço político de sua família desde a proclamação da República.

Cadê o hospital? Houvera o show, o prédio estava pronto, mas não havia funcionários. Até hoje, ele funciona como posto de saúde, só com consultas e raios X. Hospital mesmo, só em maio.

Assim como a Secom poderia investir em carros-pipa o que gasta em propaganda, Cid Gomes poderia ao menos fazer a caridade de só patrocinar shows quanto tiver serviço para entregar.

 

Elio Gaspari

Mais um texto sobre a tal da “governabilidade”!

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A política é um fenômeno interessante.
Quando a política falha, acontece a guerra – diziam os filósofos Gregos.
Mas quando a Política É falha acontece a perpetuação de um estado coletivo de anestesia. Provocado justamente pelo interesse político de quem se mantém no poder por conta da ignorância coletiva.
Para entender de forma mais simples possível. Hoje o mundo não é mais polarizado como há tempos atrás. As ideologias foram deixadas na gaveta e o termo “Governabilidade” fora criado para justificar alianças que jamais seriam aceitas em outras épocas.

O PT lutou por muitos anos para chegar ao poder, e lutou contra muitos desses homens que hoje fazem parte do poder ao lado deles. Simplesmente porque o PODER desses homens é necessário para que eles possam GOVERNAR.
Por outro lado a OPOSIÇÃO é composta por um grupo de ex-governantes que também não possuem credenciais tão respeitosas para que possamos EXALTAR um nome que nos represente.
NÓS ESTAMOS NAS MÃOS DELES E NÃO TEMOS OPÇÃO.
Como o adiamento das reformas políticas interessa a quem manipula as rédeas da nação, continuamos reféns de um sistema que se diz DEMOCRÁTICO mas que é TOTALMENTE contrário a REAL DEMOCRACIA.

Onde está a DEMOCRACIA quando Senadores se juntam para eleger o PRESIDENTE e votam SECRETAMENTE?
Quero saber em quem o SENADOR que escolhi votou.
O VOTO SECRETO não é Democrático.

Foram 56 homens que representam uma nação inteira que deram seus votos e não se colocaram a disposição da sociedade. E RENAN CALHEIROS AINDA VEM FALAR DE TRANSPARÊNCIA???????????????

Sabemos que o PT apóia a estadia de RENAN, assim como Apoiou a estadia de Sarney, por pura Conveniência com a tal “Governabilidade” – Isso é a POLÍTICA Brasileira. Porque quem conhece o mínimo de Política sabe que a própria DILMA tem interesses muito divergentes destes Coronéis, mas precisa deles para conseguir continuar Governando.
Dentro do PRÓPRIO PMDB existe uma falsa conivência com estas correntes sinistras, mas por uma questão de interesses individuais muita gente não se opõe ao PARTIDO.

Como não temos uma OPOSIÇÃO que possa representar de forma legítima nossos interesses, o que vivemos é essa realidade triste.

Fica só uma certeza.
COMO DEVE SER TRISTE A UM PARTIDO COMO ERA o PT se submeter a gente como SARNEY E RENAN CALHEIROS para conseguir continuar governando…

TRISTE.
Vai lá RENAN E ATOCHA NOVAMENTE NA NOSSA CARA a nossa própria incompetência ELEITORAL.

Fonte: https://www.facebook.com/tico.s.cruz

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O SITUACIONISMO, um grande mal da nossa política!

O situacionismo é a mais nova moda da política deste “lugar comum, junto daqui chamado Brasil, feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco e o guaraná guarani”!

Mas o situacionismo não é nenhuma novidade. Ele sempre existiu porém tinha menor representação partidária. Seu maior representante sempre foi o PMDB. Existe até mesmo uma anedota que diz mais ou menos o seguinte.

Um certo político do PMDB foi questionado sobre o por que de sua agremiação político-partidária ser sempre governo. O político então respondeu:

  • Sim, nós sempre somos governo. Que culpa temos nós se esses governos mudam a cada quatro anos?

O situacionismo de hoje é bem mais amplo. Hoje está tudo junto e misturado. Hoje em dia é todo mundo querendo ser GOVERNO. É o oposto daquele slogan anarquista (Hay gobierno, soy contra!). O que importa mesmo, na política de nossa pátria mãe gentil é estar do lado da situação. Desde a capital da nação até a menor cidade brasileira, o que interessa mesmo para os políticos é ser da situação!

Ser oposição é ser mal visto! Ser oposição é ser do contra! Ser oposição é ser a força do atraso, é ser do lado de quem não quer ver o progresso da nação. Ser da oposição é até pecado! Oposição ao lulismo, será pecado mortal no catecismo petista dentro de pouco tempo. O oposicionista será cada vez mais defenestrado pelos situacionistas. A oposição sempre será vista como uma pedra no sapato de quem está no poder!

Bom mesmo é ser SITUAÇÃO! Quando se é situação tudo se consegue! Estar do lado da situação só traz benefícios  Você sempre será bem visto pelo povo! O situacionista é querido! O situacionista é encarado como alguém fundamental para o progresso proposto. E se um dia o situacionista esteve do lado da oposição, a partir do momento que ele vira situacionista tem todos os seus pecados de oposicionista perdoados. E ainda pode contar com a benção de uma expressão que tem sido o principal argumento dos vira-casacas: “A política é dinâmica!”

E o situacionismo está dando suporte a outra expressão da moda em nossa política: a GOVERNABILIDADE. Por ela se faz tudo! Por ela se abraça até o Maluf! Pela governabilidade se aceita toda e qualquer aliança! O que importa mesmo é manter a GOVERNABILIDADE. Seja a que custo for! Afinal de contas, manter todo mundo na situação tem um custo muitas vezes elevado. São muitos cargos para serem preenchidos pelos aliados, são muitos pedidos a serem atendidos.

Assim sendo, não vejo com muita esperança que as oposições continuem existindo por muito tempo na política desse “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Por quê? Vou usar o argumento da seleção natural de Darwin. Darwin dizia que não eram os seres mais fortes que sobrevivem, mas sim os mais adaptáveis. Você quer político mais adaptável do que um eterno situacionista?! Não existe! Por isso, as oposições estão condenadas a desaparecerem até mesmo pela seleção natural.

A Náusea (por Arnaldo Jabor)

A Náusea (por Arnaldo Jabor)

O grande Cole Porter tem uma letra de música que diz: “Conflicting questions rise around my brain/ Should I order cyanide or order champagne?” (“Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?”)

Sinto-me assim, como articulista. Para que escrever? Nada adianta, nada. E como meu trabalho é ver o mal do mundo, um dia a depressão bate. A náusea – não a do Sartre, mas a minha. Não aguento mais ver a cara do Lula, o homem que não sabe de nada, talvez nem conheça a Rosemary, não aguento mais ver o Sarney mandando no País, transformando-nos num grande “Maranhão”, com o PT no bolso do jaquetão de teflon, enquanto comunistas e fascistas discutem para ver quem é mais de “esquerda” ou de “direita”, com o Estado loteado por pelegos sem emprego, não suporto a dúvida impotente dos tucanos sem projeto; não dá mais para ouvir quantos campos de futebol foram destruídos por mês nas queimadas da Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; não aguento mais contar quantos foram assassinados por dia, com secretários de segurança falando em “forças-tarefas” diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares, não suporto a polêmica nacionalismo-pelego x liberalismo tucano, tenho enjoo de vagabundos inúteis falando em “utopias”, bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos decepcionados com os ‘cumpanheiros’ sindicalistas, mas secretamente fiéis à velha esquerda, que só pensa em acabar com a mídia livre, tremo ao ver a República tratada no passado, nostalgias masoquistas de tortura, indenizações para moleques, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma reforma no Estado paralítico e patrimonialista, não tolero mais a falta de imaginação ideológica dos homens de bem, comparada com a imaginação dos canalhas, o que nos leva à retórica de impossibilidades como nosso destino fatal e vejo que a única coisa que acontece é que não acontece nada, apesar dos bilhões em propaganda para acharmos que algo acontece. Odeio a dúvida de Dilma, querendo fazer uma política modernizante, mas batendo cabeça para o PT, esse partido peronista de direita.

Não aturo a dúvida ridícula que assola a reflexão política: paralisia x voluntarismo, processo x solução, continuidade x ruptura; deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, balas perdidas sempre acertando em crianças, imagens do Rio São Francisco com obras paradas e secas sem fim, o trem-bala de bilhões atropelando escolas e hospitais falidos, filas de doentes no SUS, caixas de banco abertas à dinamite, declarações de pobres conformados com sua desgraça na TV; tenho engulhos ao ver a mísera liberdade como produto de mercado, êxtases volúveis de ‘descolados’ dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicone, pênis voadores, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja com louras burras, abomino mulheres divididas entre a ‘piranhagem’ e a ‘peruice’, repugnam-me os sorrisos luminosos de celebridades bregas, passos de ganso de manequim, notícias sobre quem come quem, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, rebolando em shoppings assaltados, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e Ocidente, desovando cadáveres na Palestina e em Ramos, ônibus em fogo no Jacarezinho e Heliópolis, a cara dos boçais do Hamas querendo jogar Israel no mar e o repulsivo Bibi invadindo a Cisjordânia, o assassino pescoçudo Assad eliminando o próprio povo, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros no Islã recitam o Alcorão com os rabos para cima, xiitas sangrando, sunitas chorando, tudo no tão mal começado século 21, século 8.º para eles ainda, não aguento ver que a pior violência é nosso convívio cético com a violência, o mal banalizado e o bem como um charme burguês, não quero mais ouvir falar de “globalização”, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito, cariocas de porre falam de política e paulistas de porre falam de mercado, museus pós-modernos em forma de retorcidos bombardeios em vez da leveza perdida de Niemeyer, espaços culturais sem arte nenhuma para botar dentro, a não ser sinistras instalações com sangue de porco ou latinhas de cocô de picaretas vestidos de “contemporâneos”, não aguento chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro arrancado dos ignorantes sem pagar Imposto de Renda, festas de celebridades com cascata de camarão, matéria paga com casais em bodas de prata, políticos se defendendo de roubalheira falando em “honra ilibada”, conselhos de ética formado por ladrões, suplentes cabeludos e suplentes carecas ocultando os crimes, anúncios de celulares que fazem de tudo, até “boquete”; dá-me repulsa ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio o prazer suicida com que falamos sem agir sobre o derretimento das calotas polares, polêmicas sobre casamento gay, racismo pedindo leis contra o racismo, odeio a pedofilia perdoada na Igreja, vomito ao ver aquele rato do Irã falando que não houve Holocausto, cercados pelas caras barbudas da boçal sabedoria de aiatolás, repugnam-me as bochechas da Cristina Kirchner destruindo a Argentina, a barriga fascista do Chávez, Maluf negando nossa existência, eternamente impune, confrange-me o papa rezando contra a violência com seus olhinhos violentos, não suporto Cúpulas do G20 lamentando a miséria para nada, tenho medo de tudo, inclusive da minha renitente depressão, estou de saco cheio de mim mesmo, desta minha esperançazinha démodé e iluminista de articulista do “bem”, impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos.

Daí, faço minha a dúvida de Cole Porter: devo pedir ao garçom uma pílula de cianureto ou uma “flute” de champagne rosé?

Em tempos de seca… Morte e vida severina

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI

— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zaca.

—João Cabral de Melo Neto

Deputado Romário sabe das coisas!

 

LEIAM E DIVULGUEM: (excelente e ESTARRECEDORA entrevista)
ROMÁRIO (acreditem: o menos faltoso entre os novos deputados Federais) e uma entrevista ASSUSTADORA; Parte de entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli – TV Record .

– Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não
teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca
deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas… Não só joguei futebol.
Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de
conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente… Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil
só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada.
O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País
precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

– Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns
apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk… É um
escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao
nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

– Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos…
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá…Pernambuco… Todas as outras sete
arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze… Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com
tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

– São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto… E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna,
mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

– O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.
Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca.
Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a
aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

– A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de
cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos
ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio.
O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

– Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

– Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal… Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro…
A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro.
Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe?

BALANÇO PARCIAL DOS DOIS ANOS DA GESTÃO VEVEUZISTA

Estamos nos aproximando do fim dos dois primeiros anos da gestão veveuzista a frente da Prefeitura Municipal de Sobral, cidade esta que daqui a pouco será conhecida como a capital simbólica do Principado dos Ferreira Gomes.
Nestes dois anos que estão findando-se o que podemos dizer a cerca do modus operandi do então gerente?
Os seus defensores de

pronto irão dizer que o Prefeito pegou uma gestão pela metade (ué, mas ele não era o vice?! Ah sim, ele passou um tempo sendo não-sei-o-que no IPHAN!), que o secretariado não era o dele (ué novamente, mas ele não poderia montar um secretariado próprio? Ele era ou não era o prefeito? Mistéeeeeeerio…), dentre outras desculpas que mais podem soar como retórica para bovino entrar em estado de vigília!
O que eu posso dizer, como um mero observador da vida diária da cidade é o seguinte:
– A obra de internalização da fiação elétrica, lógica e de voz do centro da cidade é uma obra que não é necessária. Por necessário, entendam uma obra sem a qual a cidade não poderia contar. Vejo apenas como perfumaria, como algo que vai embelezar a cidade e só. Não que eu seja contra as questões relacionadas a estética de uma cidade. Só penso que essa obra poderia ser deixada para outro momento. Talvez um momento no qual outras NECESSIDADES já tivessem sido atendidadas.
– Praças: a celeridade na conclusão reformas das praças é espantosa! Isto usando uma carga de ironia boa! A Praça da Igreja do Coração de Jesus, com sua plantação de postes de iluminação, demorou um tempo considerável para ser concluída e mesmo assim, nem todos os postes de iluminação estão funcionando. Seria uma alusão ao companheiro petista derrotado pelo chefe do chefe do executivo sobralense lá na capital alencarina?! risos A reforma da Praça da Igreja da Sé arrasta-se como uma lesma. A reforma da Praça da Igreja do Patrocínio ficou apenas na promessa. Quem sabe saia na próxima gestão. Lembro que o anúncio da dita reforma aconteceu no finalzinho de uma celebração na referida igreja o que causou algum desconforto a alguns fieis que entenderam isso como um agravo ao culto sagrado!
– Duplicação do trecho que vai da Av. do Contorno até as proximidades de um motel: mais uma obra que, a princípio, parece ser meramente cosmética. Sem falar que arrasta-se como as reformas de certas praças. Não tem nem o que se comentar!
– Falta de água na sede e nos distritos: esse foi o assunto mais falado nas ondas da radiofonia da capital simbólica do Principado dos Ferreira Gomes. E para completar a inoperância do SAAE ainda aconteceu aquela investigação do Ministério Público que ainda vamos ver no que vai dar.
– Falta de medicamentos e postos de saúde: esse era outro assunto bastante comum nas rádios e rodas de conversas.
– O lixo pelas ruas: é público e notório que há um certo desleixo por parte da gestão municipal para com a coleta de lixo da cidade. Não tem como colocar a culpa somente na falta de educação e consciência da população!
– Aumento na criminalidade: mesmo que a segurança pública não seja prerrogativa do poder municipal e sim estadual, o então gestor a tempos montou um certo gabinete para tratar desse assunto. O que temos de resultados? Não sei, não vi… Estou igual ao “deus” Lula quanto as questões de corrupção nos seus governos!
– Os índices da educação: essa é a parte boa. Porém, não devemos dar os creditos totalmente á gestão veveuzista. Isso é um trabalho que vem sendo construído ao longo de um bom tempo. O então gestor deu a sorte de colher os frutos, mas não se deu ao trabalho de plantar! Ah… Mas ele era vice-prefeito! Ah sim… quer dizer que agora ele é lembrado como vice?! Francamente…
Ah… E não faltaram promessas de dia melhores… Pelo menos não podemos reclamar disso! risos
Enfim, a “amostra grátis” que a população sobralense teve da gestão veveuzista não foi das melhores. Agora cabe a nós acreditarmos que tudo isso vai mudar! E cabe ao então prefeito eleito fazer por onde tudo isso mudar!
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